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Tom Chaplin fala de seu álbum solo ao The Sun

‘Eu tive que parar com as drogas ou perder tudo’ O antigo vocalista do Keane Tom Chaplin revela sua jornada tumultuosa que levou ao seu primeiro álbum solo The Wave depois da batalha contra o vício

O cantor chegou ao fundo do poço e diz que o álbum ‘o salvou’ e que agora está ‘na melhor forma de sua vida’ depois dea batalha contra o vício

Por Jacqui Swift

Sentado no jardim de Tom Chaplin, o cantor está descrevendo a jornada difícil e emocional que levou ao seu impressionante primeiro álbum solo, The Wave.

Ele viu o ex vocalista do Keane atingir o fundo do poço e quase perder tudo através de seu vício em drogas.

“Eu penso do álbum como o antes, durante e depois”, ele diz pensativamente. “Foi quando eu fui confrontado com a escolha de parar ou continuar e perder tudo — meu casamento, família, minha carreira —  assim como confrontar o fato de que eu poderia morrer.

Eu tive que me raspar do chão e achar uma maneira de lidar.”

Eu estou com Chaplin na casa de campo de sua família no interior na fronteira entre Kent e Sussex. Dentro de casa as paredes da cozinha estão cobertas com fotos felizes de sua família, amigos e colegas de banda, as prateleiras estão forradas com livros de receitas de alimentação saudável.

Hoje o homem de 37 anos diz que ‘”está na melhor forma de sua vida” –física e mentalmente.

Alto e elegante, mas com alguns fios bancos a mais desde a última vez em que o vi, Chaplin — tirando uma baforada ocasional em seu vaporizador — não tem mais nenhum vício. No ano passado lutas contra o vício, ansiedade e ataques de pânico alcançaram um ponto crítico.

Ele revela: “Nunca mais posso beber ou usar drogas de novo e eu aceito isso.

“Mas o resultado principal de fazer este álbum é que eu não quero mais fazê-los. No passado eu mantive as coisas e nunca quis resolver os problemas que tive desde que era um adolescente.

“Mas ao chegar perto de perder minha esposa, mina filha e minha carreira eu olhei para as coisas e resolvi problemas que não tinha resolvido por anos.

“Agora eu não acordo e quero ir para uma das bebedeiras que estavam regendo minha vida. Agora acordo e estou feliz com o que está pela frente no dia.

E é por isso que estou tão orgulhoso deste álbum, porque mostra que tenho sido honesto comigo mesmo quanto às minhas vulnerabilidades. Me permitiu começar a amar a vida novamente.”

The Wave é a primeira vez que em que ouvimos as habilidades de Chaplin na composição. No Keane ele era a voz pura e emotiva que trouxe à vida as criações do compositor Tim Rice-Oxley.

Nos primeiros dias da banda a composição era dividida entre Chaplin, Rice-Oxley e o guitarrista Dominic Scott, que deixou a banda em 2001.

Chaplin diz: “Eu tinha inveja da composição de Tim e ele tinha inveja da minha voz.

“Tornou-se aparente então que a composição dele tinha ido a um outro nível, particularmente em Hopes and Fears (o álbum de estreia de 2004 do Keane) já que essas canções são icônicas.

“Depois disso, toda vez que ouvia uma nova canção eu pensava ‘Oh Cristo, como você continua com isso?’

“Minha confiança em minhas habilidades não era tão grande e ao mesmo tempo meu cantar tinha ficado muito bom. Pareceu que tínhamos nos estabelecido nesses papéis.”

Mas mesmo quando o Keane se tornou uma das maiores bandas da Britânia em casa e no exterior, Chaplin não tinha parado de escrever ou perdido seu impulso criativo. E depois de passar um ano no [centro de reabilitação] Priory de Londres em 2006, lutando contra um vício em álcool e drogas, ele saiu e começou a escrever de novo.

Ele diz: “Algumas canções saíram na época. Elas ficaram inacabadas mas eu estava aprendendo a flexionar aquele músculo criativo de novo.

“Depois nós estávamos na estrada com o Keane e gradualmente enquanto os meses e anos passavam eu parei de fazer isso.”

Mas quando o Keane entrou em hiato em 2013, Chaplin falou publicamente de suas intenções de fazer um disco colo e foi para casa para o seu estúdio e começou a trabalhar.

“Mas”, ele confessa, “Não estava indo tão bem; Havia canções OK, mas não o bastante para um álbum. Isso me quebrou um pouco e tenho certeza que pensar que eu não era bom o suficiente contribuiu em uma pequena parte para a maneira como as coisas saíram do controle.

“Mas, realmente foram os problemas não resolvidos de quando eu era jovem.

“A coisa que me parou mesmo era que, eu não conseguia acessar a parte de mim mesmo que precisava ser acessada, para escrever canções. É um nível profundo, emocional. Voltar para a raiz dos meus problemas significava que quando eu estava em casa sozinho, eu começava com as drogas novamente.”

Chaplin admite que estar no palco na frente de milhares de fãs adoradores é “intoxicante, mas eu me perdi nisso.”

Ele acrescenta: “Não é uma realidade. Você demonstra ao mundo que é essa pessoa super segura cantando essas canções muito emocionais e absorve a admiração.

“Mas você fica tão perdido nisso que de repente fica perdido como ser humano. Ser um cantor é a defesa mais elaborada. Eu sempre pareci bem mas estava escondendo.”

Em The Wave há muitas canções poderosas que descrevem quando as coisas começaram a dar errado para Chaplin. Ele e a esposa Natalie, que ele conheceu há 13 anos e com quem casou em 2011, se tornaram pais da filha Freya em 2014.

Mas Chaplin começou a percorrer o caminho errado novamente.

Ele diz: “Assim que eu fui deixado por minha conta estava encrencado. Tinha dito a mim mesmo que iria para a academia, faria alguma composição e seria um membro honrado da sociedade. Mas por baixo estava esta vontade inconsciente de usar drogas.

“E eu não quero pintar essa foto de que eu fui algum tipo de pai ausente, mas durante 2014 depois que ela nasceu eu comecei a ir em espiral. Parei de escrever canções e as compulsões começaram a se rastejar de volta quando eu desaparecia.”

Duas das canções mais bonitas e sombrias no álbum são do “antes” do qual Chaplin fala anteriormente.

A faixa de abertura, Still Waiting inclui a letra: “Buried in the rubble there’s a boy in trouble reaching for a piece of the sky” [“Enterrado ne pedregulho há um menino encrencado alcançando um pedaço do céu”].

Chaplin explica: “É muito desolador e sou eu dizendo, ‘Eu estou preso, estou f**ido e estou de volta a esse lugar horrível de novo'”.

Depois a frágil balada de piano Worthless Words relembra uma noite crítica do “durante” quando Chaplin foi forçado a acordar para os seus problemas.
Ele acrescenta: “No começo de 2015 eu fui para uma farra poderosa. É disso de que Worthless Words se trata. Achei que estava morrendo.

“Eu estava sozinho na casa de um amigo e achei que estava tendo um infarto.

“Nat tinha se enchido de mim. Achei que ia me ajoelhar e morrer sozinho. E foi quando eu soube que tinha que mudar.

“Esse primeiro passo é tão incrivelmente difícil, admitir que você tem um problema grande. Me lembro de um dia me sentar numa mesa na minha sala de jantar com Nat e esse cara de um dos centros de reabilitação locais.

“Me sentei lá e comecei a chorar. Eu não tinha a energia ou o desejo de ficar bem.

“O cara foi muito prático. Ele disse para tentar uma hora no meu estúdio e ver como se saía. Era dar um passo e um dia de cada vez para ver como era.

“Então foi quando eu comecei a escrever o que se tornou The Wave. A primeira canção foi Hold On To Our Love, que sou eu suplicando a Nat e dizendo, ‘Por favor nós estivemos juntos por muito tempo e passamos por tanto, eu sei que coloquei você pelo espremedor, mas vamos nos segurar a essa coisa que sabemos que é especial.’

“A canção meio que saiu disso.”

Outra canção de amor é o primeiro single Quicksand, que Chaplin escreveu para sua filha pequena.

Ele diz: “Eu sabia que queria escrever uma canção para ou sobre Freya, mas nada sentimental demais ou brega.

“Eu não quero sobrecarregá-la com o quão miserável o mundo pode ser, mas quero que ela perceba que nem sempre será um mar de rosas.

“Minha própria experiência tem sido tão cheia de altos e baixos malucos e provavelmente mais extrema do que ela enfrentará.

“Mas eu quero dar a ela uma visão equilibrada de como a vida será.”

Em The Wave, o principal colaborador de Chaplin foi o produtor e compositor Matt Hales do Aqualung, que também trabalhou com Lianne La Havas, Paloma Faith e Bat For Lashes.

“Eu o conheci em LA embora ele disse que tínhamos nos encontrado antes — e me senti horrível de não conseguir lembrar”, Chaplin ri.

“Mas nós nos demos bem e é por isso que ele veio como produtor. Nós só nos sentamos e tomamos uma xícara de chá e batemos papo por mais tempo do que deveríamos.

“Havia um senso de alguma coisa dividida antes de começarmos a trabalhar de verdade em canções, o que foi importante já que no Keane nós éramos como irmãos.

“As pessoas ainda acham que houve alguma acrimônia séria, mas o Richard (o bateria do Keane Richard Hughes) veio visitar recentemente e adora o álbum então mandei uma cópia a ele.

“Eu estava com o Tim no casamento de um amigo no mês passado também. Acho apenas que chegamos a estágios diferentes de nossas vidas. Eu tive mesmo que matar a vontade de fazer meu próprio álbum — embora não tenha ainda mandado uma cópia para o Tim ou o Jesse (o guitarrista do Keane Jesse Quin)”.

Há momentos desoladores mas bonitos em The Wave mas é um álbum esperançoso e positivo sobre otimismo e defender quem você é e a vida que você tem.

The River é um número de sintetizador, que move a tristeza anterior do álbum para a pista de dança.

Chaplin acrescenta: “Eu estou tentando mesmo articular isso com o álbum. Que se você sente que está em um lugar horrível e que sua vida é uma bagunça, há uma saída.

“Não tenha medo de chorar e soltar tudo porque se você esconde isso em algum lugar isso vai sair.

“A narrativa da escuridão para a luz veio depois que as canções estavam finalizadas e percebemos que havia um arco.

Também há uma arte diferente para cada faixa no álbum então ele é muito visual e alguém disse que era muito cinematográfico por causa disso. Eu gostei dessa ideia.”

Sendo tão honesto e aberto em seu novo álbum, eu pergunto a Chaplin se ele teme algum dos comentários astutos que enfrentou quando seus problemas atingiram as manchetes pela primeira vez em 2006? “Eu acho que é um panorama diferente hoje e o que estamos falando é de uma doença mental séria.

“É tão importante que você jogue uma luz nessas coisas e remova o estigma.

“Ansiedade e vício afetam tantos então se falar ajudar, então ótimo.

“Tudo que eu sei é que sou tão sortudo de ter recebido outra chance.”

“As coisas nas quais coloquei a mim mesmo, minha família e meus amigos, física e mentalmente, não mereço nada.

“Mas eu não tenho mais medo de ser vulnerável e aprendi que se você é honesto consigo mesmo quando fica vulnerável então pode começar a amar a vida e começar a aproveitá-la novamente.

“Houve uma hora em que eu achei que morreria mas fazer esse álbum me salvou.”
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